Aldeia Sustentavel

O que você vai fazer pelo meio ambiente, hoje?

Boa tarde pessoal! (E-mail enviado ao grupo rada-verde)

Vou aproveitar este e-mail de apresentação e compartilhar uma problemática com vocês e necessito da compreenção e ajuda de todos!
Meu nome é Daiane Santana da silva, tenho 23 anos e sou recém formada em engenharia Ambiental pela Universidade federal do Tocantins - UFT e trabalho atualmente no núcleo Estadual de Meteorologia e Recursos hídricos (NEMET/RH), trabalho na área de agrometeorologia, recursos hídricos e mudanças climáticas e também tenho um Blog o VIVOVERDE.blogspot.com.

Como disse iria aproveitar este e-mail para repassar um assunto que anda me intrigando, é sobre a realização de um Suvivor (reality show) no Parque Estadual do Jalapão, sabe-se que o Jalapão é uma Área de Preservação Ambiental (APA) e este tipo de atividade é imprópria para o local e o governo está tratando esse caso com um sigilo imenso, não falam nada... e não permitem que ninguém fale nada.

Segue abaixo algumas informaçãoes sobre o que ocorre lá e gostaria que fosse DIVULGADO!!

Grata
Daiane Santana
PS: Peço paciência quanto a leitura, sei que está grande ... mas é necessário que seja divulgado!

--

Jalapão é território americano desde setembro; tocantinense está impedido de entrar na área

Tem muita gente indignada com o que está ocorrendo no Jalapão. Há cerca de 90 dias, a rede americana de TV CBS grava o programa Survivor, um reality show, que será comercializado para 120 países - menos para o Brasil, segundo nota do jornalista Luiz Armando Costa, na coluna Cidade Aberta, em O Jornal desta semana.

Mais de 300 pessoas estão trabalhando confinadas no projeto desde setembro. São 75 contêineres instalados para suporte do programa, numa área de preservação ambiental, transportados para lá sobre as estradas sensíveis do Jalapão. As gravações estão sendo feitas às margens do não menos sensível Rio Sono. Segundo informações que circulam pelo Estado, são US$ 30 milhões em equipamento.

O Jalapão foi totalmente interditado ao povo tocantinense e brasileiro. Foi transformado em território americano, e até o espaço aéreo está fechado. Para se ter idéia da "internacionalização", o avião do governador Marcelo Miranda (PMDB), que foi visitar as gravações, teve que mudar a rota porque não podia sobrevoar a área.

Fitas de filmadoras e chips de câmaras fotográficas - mesmo da Secretaria Estadual de Comunicação (Secom) - são confiscados pela equipe da CBS e só serão liberados após 12 de dezembro, quando terminam as gravações. Quem foi até o local diz que para entrar é necessário assinar um contrato, em inglês, de dez folhas (detalhe: até o governador!).

Americanos e australianos, que comandam o programa, instalaram no Jalapão a bandeira dos Estados Unidos - nem sinal, nem qualquer lembrança, de que se trata de território brasileiro e tocantinense.

Também conforme informações de quem foi até o local, há placas nas vias de acesso às dunas com as inscrições (em inglês e português) do tipo "dunas fechadas para o público" e "propriedade particular".

O retorno do Tocantins com perda temporária (esperamos!) da autonomia sobre parte de seu território é a divulgação das imagens do Estado para 120 países (mesmo considerando que o Jalapão, conforme especialistas, não está preparado para receber mais do que 200 visitantes).

É uma modernização daquela estratégia usada por portugueses para conquistar nossos índios: trocar espelhinhos por ouro.

Com o custo adicional da depredação de uma das nossas maiores riquezas naturais, patrimônio do povo tocantinense e brasileiro.

Será que os americanos aceitariam que fechássemos o Grand Canyon para fazer algo parecido? Que submetêssemos o governador do Colorado a esse tipo de humilhação: ter que desviar sua rota área para não sobrevoar seu território e ter que obrigá-lo a assinar contrato em português para poder entrar em seu território? Será ainda que aceitariam que fincássemos bandeiras brasileiras no Grand Canyon? E se impedíssemos o ingresso nele do povo americano?

Parece que temos vocação para colônia. Não tem dinheiro, nem divulgação nenhuma, que pague abrirmos mão de nossa dignidade e de nossa autonomia.

Como diz aquela música: "Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar o seu valor"!


Tem muita gente indignada com o que está ocorrendo no Jalapão. Há cerca de 90 dias, a rede americana de TV CBS grava o programa Survivor, um reality show, que será comercializado para 120 países - menos para o Brasil, segundo nota do jornalista Luiz Armando Costa, na coluna Cidade Aberta, em O Jornal desta semana.

Mais de 300 pessoas estão trabalhando confinadas no projeto desde setembro. São 75 contêineres instalados para suporte do programa, numa área de preservação ambiental, transportados para lá sobre as estradas sensíveis do Jalapão. As gravações estão sendo feitas às margens do não menos sensível Rio Sono. Segundo informações que circulam pelo Estado, são US$ 30 milhões em equipamento.

O Jalapão foi totalmente interditado ao povo tocantinense e brasileiro. Foi transformado em território americano, e até o espaço aéreo está fechado. Para se ter idéia da "internacionalização", o avião do governador Marcelo Miranda (PMDB), que foi visitar as gravações, teve que mudar a rota porque não podia sobrevoar a área.

Fitas de filmadoras e chips de câmaras fotográficas - mesmo da Secretaria Estadual de Comunicação (Secom) - são confiscados pela equipe da CBS e só serão liberados após 12 de dezembro, quando terminam as gravações. Quem foi até o local diz que para entrar é necessário assinar um contrato, em inglês, de dez folhas (detalhe: até o governador!).

Americanos e australianos, que comandam o programa, instalaram no Jalapão a bandeira dos Estados Unidos - nem sinal, nem qualquer lembrança, de que se trata de território brasileiro e tocantinense.

Também conforme informações de quem foi até o local, há placas nas vias de acesso às dunas com as inscrições (em inglês e português) do tipo "dunas fechadas para o público" e "propriedade particular".

O retorno do Tocantins com perda temporária (esperamos!) da autonomia sobre parte de seu território é a divulgação das imagens do Estado para 120 países (mesmo considerando que o Jalapão, conforme especialistas, não está preparado para receber mais do que 200 visitantes).

É uma modernização daquela estratégia usada por portugueses para conquistar nossos índios: trocar espelhinhos por ouro.

Com o custo adicional da depredação de uma das nossas maiores riquezas naturais, patrimônio do povo tocantinense e brasileiro.

Será que os americanos aceitariam que fechássemos o Grand Canyon para fazer algo parecido? Que submetêssemos o governador do Colorado a esse tipo de humilhação: ter que desviar sua rota área para não sobrevoar seu território e ter que obrigá-lo a assinar contrato em português para poder entrar em seu território? Será ainda que aceitariam que fincássemos bandeiras brasileiras no Grand Canyon? E se impedíssemos o ingresso nele do povo americano?

Parece que temos vocação para colônia. Não tem dinheiro, nem divulgação nenhuma, que pague abrirmos mão de nossa dignidade e de nossa autonomia.

Como diz aquela música: "Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar o seu valor"!

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A imprensa anda procurando algumas pessoas envolvidas neste caso, e assim o Professor Geógrafo Lucio Flavo Marini Adorno (Coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos e Avaliação Ambiental em Turismo Sustentável - NEATUS/UFT) respondeu da seguinte forma as indagações:

1. O Jalapão está preparado para receber esta estrutura?



De forma alguma, seja na dimensão ambiental, jurídica e social e turística.

Na dimensão ambiental esse volume de pessoas e com o perfil de uso e comportamento é altamente predatório ao patrimônio ambiental do Jalapão, sejam por impactos ecológicos diretos gerados ( poluição de solo e lençol freático por derramamento de óleo já ocorrido por decorrência do evento, uso indevido de répteis e animais para a competição e uso indevido de veículos nas Dunas) ou impactos indiretos na geração de uma imagem distorcida do valor da biodiversidade da região, veiculando uma percepção ambiental de uma terra selvagem (não é o mesmo que silvestre), bruta, inóspita e que precisa ser superada como uma natureza bárbara. É um retrocesso a construção da imagem de Pólo Ecoturístico que tanto dinheiro público já foi destinado em estudos e planejamento da região para tal, é um desrespeito a todas as pesquisas científicas que já foram desenvolvidas por várias instituições, a todas as iniciativas de conservação ambiental dos ecossistemas da região.

Juridicamente é um crime usar uma unidade de proteção integral, o Parque Estadual do Jalapão para veicular uma imagem medieval de "terra perigosa" quando se deveria servir a efetividade de manejo de "terra protegida". É uma contravenção quando se sabe que essas terras não tiveram resolvida a questão primordial para a efetividade de proteção de suas espécies endêmicas e atrativos: a regularização fundiária... não se paga aos donos o valor justo daquelas terras mas se permite o apoio estatal a um interesse estrangeiro em detrimento de toda a legislação ambiental brasileira. O zoneamento ambiental do Parque Estadual do Jalapão está sendo jogado no lixo e os técnicos ficam de mãos atadas, a eles não lhe são dados meios e tampouco autonomia real de implementação do devido manejo e proteção ambiental.

Na dimensão social então é a legitimação da desordem. Os moradores ficam reféns de todo esse poder econômico daninho e ilusório e acham que isso é atividade turística tão almejada por todo o receptivo local. Alguns ganham agora, mas é insustentável e mais do que isso, é predatório aos seres humanos sobretudo de Mateiros, visto que já há indicadores claros de exploração econômica e sexual, uma violência a infância e juventude daquele município. O lucro "facil" de agora pode se convergir em prejuízos morais, religiosos, bem como de distribuição de renda dos recursos públicos a curto prazo diante do agravamento de problemas sociais, inclusive delitos estimulados por consumo de entorpecentes. O incentivo a realização de um evento como tal sem um devido ordenamento e policiamento de parte desses participantes que buscam aliciar as pessoas do local foi irresponsável e agrediu a todas as instâncias de governança como o Conselho Consultivo do Parque Estadual do Jalapão, o Fórum Estadual de Turismo, a Comissão de Implantação do Territorio do Jalapão, organizações não governamentais que tem carreado recursos , energia humana e técnica em prol do desenvolvimento sustentável das comunidades de quilombolas e em prol da conservação das cinco unidades de conservação lá criadas, bem como as diretrizes e programas governamentais que visam estabelecer um ordenamento e um uso sustentável da biodiversidade e da cultura local da região. Enfim é um "tiro-no-pé" no projeto de efetividade do Pólo Ecoturístico, é um agravamento de uma sangria que não foi curada desde o modo de criação do parque, é colocar um Jalapão deslumbrante por natureza numa condição ainda mais vulnerável enquanto Destino Turístico Indutor Nacional enquanto "produto em espécie ameaçada de extinção".

Esperamos por outro lado que essa decisão, influenciada pela Secretaria Estadual de Indústria e Comercio sirva de lição governamental para não autorizar mais essas ingerências e (des)inteligências a um setor de que não tem competência para tanto. Meio Ambiente e Turismo no estado deve ser tratado e gerido por suas instâncias próprias e não por esse tipo de impulso.



2. Quais as condições que o Jalapão tem hoje para receber turistas?



Do ponto de vista dos meios de hospedagem existem onze pousadas entre os municípios que estão no roteiro turístico do Jalapão: Novo Acordo, São Félix, Mateiros e Ponte Alta do Tocantins. O problema já convencional é que se incentivou por muitos anos que o Jalapão é um destino de aventura para acampamentos e a não ser o da Korubo os que funcionam como tal estão entre precários a totalmente irregulares do ponto de análise sanitário e legal.
Isso gerou parte dos principais problemas ambientais sobretudo na área do Parque Estadual do Jalapão, diga-se especialmente na Cachoeira do Formiga, que continua sendo área particular. Pela falta de instalação de passarelas, de trilhas, decks, sanitários, ordenamento do fluxo da visitação, insuficiência de pessoal na orientação e fiscalização, as condições são muito limitadas. Para cada atrativo através de estudo científico estabelecemos a capacidade de carga e esse estudo foi entregue no início desse ano ao Naturatins. No geral as condições que o Jalapão tem ou não para receber turistas depende também do perfil desse visitante, se ele for para praticar atividades radicais com seus off-road ou para arrancar o que bem deseja da natureza local, isso vai implicar numa diferença nessa avaliação.

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